terça-feira, 29 de maio de 2007

Jornalismo e humanismo, uma experiência possível

A 8ª Semana de Comunicação e Marketing foi aberta nesta segunda-feira, dia 28, pela manhã, com palestras que trataram de jornalismo, animação gráfica e marketing e meio ambiente. Logo no início da manhã, os alunos de jornalismo acompanharam atentamente o relato feito pela fotojornalista Dominique Torquato e pela repórter Patrícia Azevedo, ambas do grupo RAC, em Campinas.

Dominique, com 20 anos de carreira, falou sobre a sua trajetória iniciada na Folha de S. Paulo, quando ainda fazia o último ano do curso de jornalismo. Ela ingressou na profissão quando ainda não havia o impacto das novas tecnologias. Os fotógrafos ainda usavam filme preto e branco, depois houve novo aprendizado com a introdução das fotos coloridas e, finalmente, ocorreu a grande mudança com a máquina digital. “Acho difícil acreditar como se fazia jornalismo e foto sem internet”, comentou Dominique.

Quem pensa que fotografia diz respeito apenas à imagem está enganado. Dominique explicou que o fotojornalismo está inserido no contexto maior da informação jornalística. Por isso, os fotógrafos devem levantar dados sobre quem estão fotografando. Segundo ela, não adianta chegar à redação com uma bela foto, mas sem nenhum dado. “Sem informações, a fotografia não é publicada”, ensinou.

Patrícia falou sobre a sua experiência na área de polícia. O relato da jornalista foi uma grande aula sobre como fazer jornalismo com seriedade e humanismo. Uma das experiências marcantes lembradas por Patrícia foi uma reportagem feita sobre moradores de rua, em Campinas.

A repórter decidiu ficar durante um dia e uma parte da noite convivendo com moradores de rua. Ela conta que notou a indiferença e também o preconceito que há contra as pessoas excluídas. Por outro lado, também presenciou manifestação de solidariedade por parte de gente que leva sopa e roupas para os moradores de rua. “A noite em que fiquei com eles na rua foi a mais fria em São Paulo naquele ano, então, passei muito frio. Mas, na madruga, um rapaz - me vendo com muito frio - me deu o seu único cobertor e disse que ele já estava acostumado com o frio, foi assim que vi que há muita solidariedade entre essas pessoas”.

As duas jornalistas também falaram da importância das fontes e sobre as dificuldades em exercer a profissão. Relataram, inclusive, situações em que enfrentaram perigos e ameaças. Ameaças não vêm apenas de bandidos, mas também de gente rica envolvida em escândalos, explicaram. Por outro lado, quando elas relatavam suas experiências, foi possível notar a paixão de ambas pela sua profissão. Questionadas sobre os aspectos positivos desta atividade, Dominique e Patrícia falaram da importância do jornalismo em contribuir com a melhoria de comunidades quando, por exemplo, é feita uma reportagem sobre falhas em um posto de saúde. Mas, sem dúvida, o jornalismo torna-se grande quando cede espaço para jornalistas como Dominique e Patrícia. Com humildade, elas nos ensinaram o valor do jornalismo feito em prol do humanismo e da solidariedade.

Ieda Cavalcante dos Santos , jornalista, professora universitária e poeta / Joyce Patrício, aluna de jornalismo

Foto: Dominique Torquato ("De olho no repórter". In: http://www.cosmo.com.br/galeria/crianca/default.shtm)

4 comentários:

Erica Guimarães disse...

São por estes e outros motivos que me apaixono a cada dia pela minha futura profissão. Obrigada Ieda por passar o que foi aprendido no período da amnhã. É muito rica esta troca de innformação.

Lígia Ferreira disse...

Pena que eu perdi essas atividades, adoraria poder participar de TODAS

Lígia Ferreira disse...

AH1 e parabens ao pessoal da manha, estão todos falando muito bem das atividades....

Andréa Sampaio disse...

Parabéns para os alunos da manhã!