Edinho em Maresias Foto: James ThistedQual o seu nome completo, sua data e local de nascimento e como você define a sua ocupação?
Nasci em Santos, e adoro isso como todo bom santista, em 6 de dezembro de 1960. Minha ocupação permite viver no surf e trabalhar com o que gosto. Sou editor chefe da Revista Hardcore, trabalho buscando as melhores imagens e textos que fazem a Mais Surf do Brasil. Organizo as pautas de cada edição com nossa equipe e, claro, faço boa parte da conexão entre revista, surfistas e mercado.
Considerando que tivéssemos que escolher apenas um, o que vale mais quando o intuito é comunicar, uma imagem ou o texto?
Você quer acabar com minha moral de escritor. Acho que depende do contexto, uma coisa complementa a outra, mas, muitas vezes, no caso do surf, a imagem é tudo, muito embora um bom texto crie imagens únicas e particulares. São dois tipos de leitura, uma pode ser mais inteligível que outra.
Como você encara a atual situação do "mercado de surfe" brasileiro, considerando empresas, mídias e competições. E o surfe no mundo?
Nosso mercado gira números expressivos e, no geral, está muito bem. Hoje, globalizados, não só consumimos marcas internacionais produzidas aqui como passamos, já há algum tempo, a criar e desenvolver o que é vendido no mundo todo. Só precisamos tomar cuidado com cartéis e a força de grandes redes de lojas que chegam a pesar mais que outros setores. A pirataria também poderia ser muito melhor combatida se as leis ajudassem.
A mídia tem exatamente o tamanho que o mercado aceita e está caminhando rapidamente para angariar mais espaço no gosto do público não especializado. A internet criou o ambiente "televisivo" que nunca conseguimos na TV aberta. Infelizmente é impossível nos compararmos às grandes revistas internacionais. Aqui a carga tributária que incide sobre as empresas não permite que elas invistam ainda mais nas revistas e outras mídias. Ao menos conseguimos entrar na era dos filminhos (DVD´s), isso foi uma lacuna que as marcas começaram a preencher.
O surf no mundo continua crescendo e acredito que seja absorvido por um número cada vez maior de praticantes, mesmo que esporádicos. Isso se deve a nova imagem e crescimento do profissionalismo assim como a volta do "free surf" que vende muito bem a sensação de diversão. O tow in resgatou, de certa forma, aquela imagem de um life style que parece existir apenas para pessoas especiais.
Porque escrevemos SURF e não SURFE, HAWAII e não HAVAÍ e etc? Porque todo mundo entende Webmaster, e-mail e não chama o mouse de rato?
São palavras que chegaram aqui junto com o surf (sem "e") como ícones. Como você nomearia um cutback? Os mais puristas tentam, em vão, livrar nossa língua de estrangeirismos, mas, hoje em dia o mundo fala "wordish", um inglês que, mesmo diferente do literalmente correto, é entendido por todo mundo. A maioria dos jornalistas "checam" uma notícia. A palavra é puro estrangeirismo. Se a língua fosse algo estático ainda escreveríamos farmácia com "PH".
Quais são os quesitos que norteiam as suas pautas?
Fotos perfeitas, ondas perfeitas surfadas por bons surfistas, essa é a alma. Mas as coisas são mais complexas. As matérias devem despertar o eterno sonho de prazer que é o surf sem deixar de lado a preocupação de abrir os olhos da galera sobre tudo que possa influenciar nossas vidas. A revista trata de vida e as pautas seguem nesse sentido. Claro, a Hardcore sempre gostou de questionar as coisas, apontar novos caminhos. Somos críticos, mas sem perder o humor.
Você acredita que valorizar o idioma pode fortalecer a cultura?
Sim, sem dúvida. Mesmo com todo despojamento que temos na Hardcore, procuramos prezar a inteligência do leitor, nunca o subestimamos. Não temos medo de extrapolar os padrões simplistas do "uhuuuuu", nos preocupamos com a revisão. A forma coloquial não é falta de preciosismo. O importante é fazer pensar.
Qual a influência do nosso micro-cosmo no macro? Influenciamos à Sociedade (os não surfistas) de alguma forma? De que forma?
Veja aonde chegou a surfwear. É sinônimo de roupa jovem, moda praia, quase todo mundo usa. O surf foi o carro chefe de toda essa onda de esportes radicais que implicam em maior contato com a natureza e o próprio desenvolvimento físico e mental. O estilo de vida surf ajudou a detonar o padrão de vida almejado por grande parte do mundo.
Qual o maior legado de uma vida escrevendo e surfando?
Poder participar da transformação do universo escolhido como seu em história, dando um pouco da sua visão. Surfar? Bem, quando a gente pega onda o maior e melhor legado que podemos deixar é algum sentimento bom no coração do bando de amigos tão doidos quanto à gente. Sempre acreditei nisso, mas confirmei a tese com a partida do meu irmão de vida, Paulo Ferracine.
Por: Cceu/sszone
e-mail: cceu@sszone.com.br
2 comentários:
Muito legal o bate papo Gui. Cade sua entrevista com ele? Fala da palestra de ontem tambem!!! Te mando as fotos hoje... foi expetacular a participação dele... pena q curtíssimo!!!!
Foi impressionante mesmo! Os alunos que tiveram que ir embora ficaram muito chateados de nao assistir até o fim. Fou um sucesso!
Postar um comentário